HISTÓRIA E SENTIDOS DA TATUAGEM: DO RITUAL ANCESTRAL À CONSTRUÇÃO DA AUTOESTIMA CONTEMPORÂNEA
Resumo
A tatuagem constitui uma prática ancestral que atravessa diferentes períodos históricos, assumindo significados diversos conforme os contextos socioculturais em que se insere. Inicialmente vinculada a rituais religiosos, espirituais e formas de pertencimento coletivo, ao longo do tempo passou por processos de estigmatização e posterior ressignificação, consolidando-se, na contemporaneidade, como uma importante forma de expressão estética, identitária e subjetiva. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo investigar de que maneira a tatuagem se configura como prática de expressão identitária e subjetiva na atualidade, analisando suas relações com a autoestima, pertencimento social e a construção de sentido de si. A análise teórica evidencia que a tatuagem opera como linguagem simbólica, mediando a relação entre o sujeito e o meio social. Destaca-se seu papel na reconstrução da autoimagem, especialmente em contextos marcados por sofrimento psíquico, nos quais o ato de tatuar-se pode favorecer processos de ressignificação de experiências e fortalecimento da autoestima. Concluise que a tatuagem, no cenário contemporâneo, configura-se como um recurso de elaboração subjetiva e construção de identidade, articulando dimensões individuais e sociais na produção de sentidos sobre a existência.