A MATERNIDADE ATRÁS DAS GRADES: IMPACTOS PSICOLÓGICOS PARA AS MÃES ENCARCERADAS E SEUS FILHOS
Resumo
A maternidade é uma experiência complexa e transformadora, marcada por intensos aspectos emocionais e sociais, fundamentais para o vínculo entre mãe e filho. No contexto do encarceramento feminino, essa vivência torna-se ainda mais desafiadora, devido às limitações impostas pelo ambiente prisional, que comprometem o desenvolvimento emocional e social da criança e fragilizam a relação materno-infantil. Este artigo analisa os impactos psicológicos da maternidade encarcerada, tanto para as mães quanto para os filhos, com base em uma revisão bibliográfica qualitativa e fundamentação teórica em autores como John Bowlby e Donald Winnicott. O estudo evidencia que a estrutura prisional, historicamente voltada ao público masculino, negligencia as demandas específicas das mulheres, especialmente as gestantes e mães. Embora existam dispositivos legais que garantam certos direitos, sua efetivação é limitada. A separação prolongada gera sofrimento emocional nas mães, dificultando sua reintegração familiar, enquanto as crianças podem desenvolver insegurança e dificuldades afetivas. A ausência de suporte psicossocial adequado, dentro e fora do cárcere, agrava esse cenário. Conclui-se que políticas públicas específicas são essenciais para assegurar uma maternidade digna no sistema prisional, minimizando os danos causados pela separação e promovendo o bem-estar de mães e filhos impactados por essa realidade.