A AUTOPERCEPÇÃO A PARTIR DO REGISTRO DIALÉTICO AUTOPERCEPTIVO E DOS OBJETOS RELACIONAIS DE LYGIA CLARK
Resumo
Esta pesquisa investigou como a interação com os Objetos Relacionais de Lygia Clark, combinada com a utilização do Registro Dialético Autoperceptivo (RDA), pode contribuir para a autopercepção. O estudo exploratório, de método indutivo com análise qualitativa, foi realizado com dez participantes em ambiente acadêmico. A metodologia envolveu duas etapas: interação livre com reproduções de três Objetos Relacionais (Pedra e Ar, Água e Conchas, Almofada Leve-pesada) seguida pelo preenchimento do RDA, instrumento desenvolvido especificamente para esta pesquisa contendo 68 construtos dialéticos organizados em pares de opostos. Os dados foram coletados através de observação, aplicação do RDA e registros em diário de campo. Os resultados evidenciaram que os Objetos Relacionais funcionaram como catalisadores eficazes para a emergência de memórias, emoções e simbolizações profundas, enquanto o RDA permitiu a estruturação cognitiva dessas experiências através da lógica dialética. A análise quantitativa revelou que 74,0% das respostas no RDA indicaram mobilização ativa da autopercepção, com variações significativas entre os objetos. A experiência integrada demonstrou complementaridade entre técnicas projetivas e de estruturação cognitiva, validando a hipótese de que esta combinação catalisa processos autoperceptivos. Os achados sugerem potencial terapêutico e contribuem para a desinstitucionalização da arte como ferramenta de autoconhecimento.